segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Entre Dois Rios com Margens – (des)construção transcultural e (re)afirmação da moçambicanidade na poesia de Delmar Maia Gonçalves



Quando se fala de mestiçagem, temos a tendência para filtrar o conceito associando-o a uma mistura de duas raças, mas, em Delmar, este processo é mais complexo dado as suas fontes culturais originarem de diversos pontos geográficos e é por isso que associo a mestiçagem, neste autor, a um processo de (des)construção transcultural. Se as diversas influências culturais lhe trouxeram enriquecimento e um sentimento de libertação identitária, considerando-se um “cidadão do mundo”, também esta diversidade provocou uma espécie de caos fragmentado, uma identidade puzzle irresolúvel, que resultou numa (re)afirmação de uma identidade única, que o liga a um ponto geográfico específico, a moçambicanidade.
Quem conhece a obra de Delmar, facilmente se apercebe das dicotomias identitárias, que surgem tanto pela mestiçagem de africano e europeu, como se pode confirmar em E  eu sou eu “Aqui estou eu/ mestiço de negro e branco” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006) e O Inevitável  “Não tenho culpa de ter nascido mulato;/ não tenho culpa que a minha mãe negra/ tenha amado um branco” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); como pelas influências culturais absorvidas na diáspora “Repousam/ em mim/ velhos Imbondeiros/ comigo sentado/ à beira de uma Oliveira” (Entre dois rios com margens, 2013); e, também, como consequência dos processos de transculturação trazidos pela globalização, que contrastam com as suas raízes culturais ancestrais africanas. Por outro lado, também a sua vertente africana sofreu um processo de hibridização cultural, próprio da Zambézia, onde, além da diversidade cultural das diversas etnias africanas, se verificam influências culturais asiáticas, europeias e árabes, quer através do cinema e da culinária, quer pelas comunidades aí existentes que, desde sempre, se miscigenaram com os locais, provocando interessantes fenómenos de transferências culturais. Delmar, cuja avó resultava já de um casamento entre africana e indiano, tinha familiares tanto católicos, como muçulmanos, tanto africanos, como europeus e goeses. São estas influências que dão força a um sentimento de libertação identitária, considerando-se o autor um “cidadão do mundo” em poemas como Mestiço de Corpo Inteiro “Sou mestiço sim/mestiço de corpo inteiro/ mestiço no espírito e na carne/ mestiço das Áfricas/ das Américas/ da Ásia/ da Oceânia/ mestiço das Europas/ mestiço do mundo, mestiço do mundo inteiro!” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006), A Universalidade do Crente “Sou Cristão/ Vou a Roma/ ou Belém/ vou à Igreja/ Ajoelho-me e oro/ Leio a Bíblia Sagrada/ Invoco Jesus Cristo/ Rezo a Deus/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Muçulmano/ Vou a Meca ou Medina/ vou à Mesquita/ Leio o Alcorão/ Oro/ Invoco Muahmmad/ Rezo a Allah/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Judeu/ Vou a Telavive ou Jerusalém/ vou à Sinagoga/ Leio a Torá/ Oro/ Faço a Tahanum/ Invoco David e Salomão/ Rezo a Adonai/ Cumpro meu dever/ Retorno.// Sou Hindú/ Vou a Benares ou ao Ganges/ vou ao Templo/ Leio o Gita/ Medito e oro/ Purifico-me/ Invoco Krishna/ Rezo a Om e Brahma/ Cumpro meu dever/ Retorno.//Sou Homem Global/ Crente de Deus/ e estou/ em sua busca” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006), Mestiçagem “Somos resultado de uma adição/ Quando subtraímos esquecemo-nos/ que antes houve adição (…) Feitas as contas/ a adição só enriquece/ não empobrece” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); Arco-Íris Humano “Com tenra idade/ já me apercebera/ da beleza do mundo colorido./ Tentaram vendar-me os olhos para ver só a preto e branco./ Antecipadamente decidi fechar os olhos/ e viajar…/ Na viagem descobri/ a beleza do arco-íris./ Afinal o mundo não é/ só a preto e branco.” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); O meu Eu “O meu Eu/ são vários Eus/ por isso/ não falo de mim (…) Mas a realidade/ do meu Eu/ é tão minha/ como o é/ dos meus Eus” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006) e O Fragmento (Eu) “Os fragmentos/ de que sou/ composto/ reclamam/ um pedaço que seja/ da esfera do caos!” (Entre dois rios com margens, 2013). Por outro lado, é também a dicotomia negro/branco, uma espécie de entre-lugar abstracto dos mestiços, que se revela ao mesmo tempo próximo e distante de duas (ou mais) culturas, nunca se inscrevendo inteiramente em qualquer uma delas, por duas razões: primeiro, porque não quer renegar os seus antepassados; depois, porque ambos os lados o aproximam e repelem, o que nos remete para a relação de abstracção de Georg Simmel “esta combinação de proximidade e de distância, que confere ao estrangeiro o seu carácter de objectividade, encontra a sua expressão prática na natureza mais abstracta da relação que se pode ter com ele (…) entre proximidade e distância, surge uma tensão particular a partir do momento em que a consciência de que só o que é totalmente geral é comum faz sobressair o que não é comum”. Apesar de este autor se referir ao “estrangeiro”, eu penso que os mestiços também se podem inscrever nesta descrição de abstracção e, ao mesmo tempo, também no sentimento de estranheza, do mesmo autor, porque nunca são inteiramente aceites como pertencendo a uma comunidade e são, por isso, estranhos e ambíguos. Esta ambiguidade nunca é bem aceite porque nos desorienta em sociedade; a ambiguidade não está perto nem longe, não é má nem boa, é estranha. Essa relação de abstracção/estranheza está patente em diversos poemas de Delmar, numa dinâmica antonímica rítmica, pulsante como os batuques africanos, conforme se pode atestar em Zé Pecado e o dueto Preto e Branco “Zé Pecado/ foi para o lado dos negros/ e levou um empurrão/ com um clamor de vozes:/ - Sai daqui seu misto sem bandeira (…) Com lágrimas vertendo/ foi para o lado dos brancos onde ouviu um eco de vozes/ clamando: - Sai daqui seu preto, sai daqui seu preto!” (Mestiço de Corpo Inteiro, 2006); Irmão Branco, Irmão Negro “Quando tu/ irmão branco/ de coração umbiguista/ me procuras insultar/ chamando-me preto (…) Quanto a ti/ irmão negro/ de coração libertino/ do tamanho da África/ quando me procuras/ ofender/ chamando-me/ misto sem bandeira (…) Afinal…/ não são sempre/ aqueles que mais amamos/ que nos maltratam/ e fazem sofrer (?)”(Mestiço de corpo inteiro, 2006).

Todas estas influências culturais foram importantes para a construção de uma consciência universalista, mas, por outro lado, também fomentaram uma fragmentação identitária resultante principalmente da divisão racial branco/negro. Como mestiço, foi empurrado para um entre-lugar essencialista, que fica entre duas raças, duas culturas com fronteiras. Daí o título do seu livro “Entre dois rios com margens”, fazendo, numa primeira interpretação, referência ao Rio do Bons Sinais, em Quelimane, cidade onde nasceu, e ao Rio Tejo, em Lisboa, cidade onde vive. Mas numa análise mais profunda do sentimento mestiço e da sua relação do autor com a diáspora, apercebemo-nos que é uma metáfora da dicotomia rácico-cultural negro/branco, moçambicano/português, africano/europeu, moçambicano no país natal/moçambicano na diáspora. Esta dualidade rivalizada colocava-o nesse entre-lugar ambíguo e desorientador. Creio que foi por este motivo que se impôs um sentimento de pertença a Moçambique, a uma colectividade moçambicana composta por negros, brancos, mestiços, chineses, indianos, árabes, entre outros, conforme o poeta afirma no poema Moçambique Moçambicano “Na minha Pátria/ não há pretos nem brancos/ há Moçambicanos.// Na minha Pátria/ não há mestiços/ há Moçambicanos.// E Moçambicano/ é aquele que/ sente o pulsar da/ pátria,/ Moçambicano/ é aquele que a vive.” (Mestiço de corpo inteiro, 2006). É de citar também, que no III Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, realizado em 2010, Delmar afirma “O escritor moçambicano na diáspora também é um escritor moçambicano”. O tema que apresentou nesse encontro teve a finalidade de confrontar questões relacionadas com o desprezo aos intelectuais que vivem na diáspora, por parte daqueles que vivem em Moçambique, que muitas vezes os “descartam”, afirmando que os escritores que vivem em Portugal são portugueses ou que os mestiços não são moçambicanos. O sentimento de pertença moçambicano está, no entanto, para além da raça ou do lugar onde vivem, está numa ligação umbilical a um ponto geográfico específico que coincide com o local de nascimento, local esse onde bebeu as primeiras influências culturais, que deixaram marcas profundas no nível informal e inconsciente daquele que se sente moçambicano. A prova disso é a poesia dos autores moçambicanos na diáspora. E neste caso, do Delmar, cuja poesia é o meu objecto de estudo. Antes de mais, é de notar que ele faz uma série de referências a Moçambique, ao povo moçambicano e a diversos pontos geográficos específicos no país (como Chokwé, Nicoadala, Quelimane, Luabo, Homoíne, Licuári, Namacata, Gorongosa, Muxunguè, entre outros), que estão frequentemente (mas nem sempre) relacionados com a guerra civil (na sua poesia mais antiga – vd. Moçambique Novo, o Enigma, 2005 e Moçambiquizando, 2005) ou com os problemas actuais do país (na sua poesia mais recente), em que aborda questões como o racismo, a corrupção, a miséria, os confrontos mais recentes entre a RENAMO e a FRELIMO, de onde surge um sentimento de “dor do mundo”, uma espécie de “esperança magoada”, em que ele, como se fosse o solo da sua pátria, carrega em si todo o sofrimento do povo moçambicano e, ao mesmo tempo, de todos os povos do mundo. Estas referências podemos encontrar em poemas como Lá vai o General “Lá vai/ o General/ O General sem rosto/ mas perfeito/ sempre perfeito/ apesar de tudo/ não sente a falta/ dos cifrões/ não usa patentes/ não usa coldres/ não usa arma/ de pão não tem falta/ usa fato/ usa balalaica/ tem motorista!/ Pois…/ Lá vai o General/ O General sem rosto/ sem consciência/ sem remorsos!/ “Comandante do barco”/ rico embora/ mas profundamente “Nacionalista”!/ Não nacionalizou/ ele o dinheiro?” (Entre dois rios com margens, 2013) e Em Moçambique “Em Moçambique/ ainda há Corvos/ de mau agoiro/ com sorrisos de Hienas/ e uma Voraz apetite de Abutres” , em que aborda a questão da corrupção; depois, temos Luabo “Em Luabo/ plantaram-se tumbas/ no lugar/ do paraíso açucarado” (Entre dois rios com margens, 2013) e Homoíne “Em Homoíne/ destilam-se lágrimas/ no vapor/ do tempo/ das balas” (Entre dois rios com margens, 2013), que fazem alusão aos confrontos político-militares mais recentes; também é de referir Pudessem “Pudessem os bons compreender/ que o seu silêncio é também/ o suicídio das almas vindouras (…) Pudessem os bons motivar-se/ para a acção contra a ditadura da passividade/ Pudessem os bons gritar/ bem alto – Basta!” (Entre dois rios com margens, 2013), que nos remete para a célebre frase de Einstein “O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que vêem e deixam o mal ser feito”; e, finalmente, Escrita “Escrevo para exorcizar a dor (…) a dor do mundo!/ Não nasci por acaso” (Entre dois rios com margens, 2013), Dor “Minha dor/ é o somatório/ de todas as dores.// Sinto a intensidade/ da dor/ na pedra/ do meu vazio” e África “Já que/ o velho Imbomdeiro/ adormeceu ressequido/ em quantas partes/ dividiremos/ o Pão da nossa Fome?” (Entre dois rios com margens, 2013), em que é bem explícito o sentimento de “dor do mundo” do poeta.

Por outro lado, são também evidentes as influências da Negritude na construção da sua poesia e estão profundamente enraizadas na sua identidade moçambicana. Antes de mais, gostaria de referir uma citação de Mário Pinto de Andrade sobre a Negritude em Francisco José Tenreiro “a negritude põe de lado facções políticas e patriotismos (…) e repousa numa consciência em vias de renascimento, (…) é estruturalmente claro e directo nas suas falas, amargo e duro por vezes – a dureza necessária para que os ouvidos de todos a possam perceber plena”. Essa dureza, essas falas directas e claras e, ao mesmo tempo, amargas não só estão presentes na poesia do Delmar como são marcas estruturais muito importantes na sua poesia. Vejamos o que diz Amadeu Ferreira no prefácio a Entre dois rios com margens, 2013 “Apresenta-nos Delmar Maia Gonçalves um poemário com dezenas de curtas explosões, poemas que apenas duram o tempo de um clarão. As palavras a condizer com essa concentração luminosa, são um grito que oscila entre esperança e raiva, dor e denúncia, vida e morte, pão e fome, o bem e o mal, o paraíso e o inferno, num dualismo que atravessa toda a obra (…) Esta não é pois uma poesia neutra ou fora do mundo, bem ao invés, ergue-se como um espinho espetado no poeta, em toda ela perpassando denúncias sem fim”. A força semântica dos substantivos “silêncio”, “morte”, “raiva”, “dor”, “denúncia”, “fome”, leva-nos a concluir que o autor imprime na sua poesia essa dureza, essa amargura de que Mário Pinto de Andrade falou. Evidentemente que estas características não são por si só marcas da Negritude, mas sim, quando em conjunto com a tese sartreana sobre a negritude, de onde Albert Franklin extraiu os seguintes pontos de articulação: racismo anti-racista (patente em quase todos os poemas de Delmar sobre a condição do mestiço); sentimento do colectivismo (o sentimento de pertença moçambicano); o ritmo (que está presente na dualidade constante da sua poesia, conferindo-lhe uma similitude ao som dos batuques – “aqui estou eu” tum tum tum “mestiço de negro e branco” tum tum tum “Severo e brando” tum tum “Obstinado e ocioso” tum tum “Modesto e orgulhoso” tum tum “E eu sou eu” tum tum tum); concepção sexual (que encontramos no erotismo revelado em grande parte da sua poesia contida no livro Afrozambeziando Ninfas e Deusas, 2006); comunicação com a natureza (fazendo frequente recurso a elementos da natureza como “imbomdeiros”, “selva”, “hienas”, “lobos”, “corvos”, “rio”, “mar”, “lua”, “crocodilos”, “abutres”, “água”, “terra”, entre outros); culto dos antepassados (tomo como exemplo o poema Sonho Ancestral publicado nos Cadernos Moçambicanos nº1, 2004 ou em Nostalgia Africana, Moçambiquizando, 2006).

É por causa destas características evidentes de negritude, que o colocam em África, e da sua intrínseca ligação a Moçambique (veja-se ainda que no poema Voz das Conchas (Entre dois rios com margens, 2013) em que o poeta acredita que a sua ligação a Moçambique é tão forte que consegue, através de uma concha, fazer a sua voz ouvir-se no seu país, mesmo estando na diáspora) que acredito que Delmar só pode fazer parte da literatura moçambicana e nunca de uma literatura europeia, apesar de ser mestiço e de viver num país europeu. As suas marcas, o seu pensamento e a sua identidade estão de tal forma enraizados no seu país de origem, que se justifica inteiramente a sua (re)afirmação da moçambicanidade.



Vera Novo Fornelos
Junho, 2016
in "Milandos da Diáspora 2016"
Apresentado no IX Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora - 2016

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Até Sempre Amigo Renato Graça!


Ontem fui mais uma vez surpreendido com uma péssima notícia que me abalou e que me foi dada pela minha tia Elsa Azevedo. Este ano de 2015 tem sido pródigo em bad news. Desta vez faleceu um amigo, poeta, tertuliano, conterrâneo, patrício Zambeziano, compatriota, parente e cúmplice no parto dos primeiros CADERNOS MOÇAMBICANOS (1, 2 e 3) da SEBENTA EDITORA que eu e o Jorge Viegas criámos/editámos nos anos de 2004, 2005 e 2006: Renato Graça. Criei várias tertúlias em Universidades e outros espaços culturais de LISBOA onde com o Jorge Viegas, o Né Afonso e ele, animámos e revivemos a nossa Moçambicanidade. Já o tinha informado da sua inclusão no próximo DICIONÁRIO DE ESCRITORES, ARTISTAS PLÁSTICOS E CINEASTAS DA ZAMBÉZIA que aceitou com entusiasmo. Da última vez que voltamos a falar, foi sobre as eleições Moçambicanas e do envolvimento da diáspora no processo.

Muitos projectos ficaram por concretizar, é certo, mas fica a certeza de que estive sempre ligado aos projectos culturais em que se viu envolvido na Literatura, como o prova a apresentação por mim do seu último livro na antiga sede do MIL e da SOCIEDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA em LISBOA.
Fica aqui o registo do meu fraterno e sincero abraço. Que descanses em Paz!

Delmar Maia Gonçalves
(Presidente do CEMD)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

NOVIDADES EDITORIAIS - JANEIRO 2015



IAN AMOS KOMENSKÝ (COMÉNIO) de Delmar Domingos de Carvalho
Ensaio biográfico

"Comenius é uma daquelas raras personagens da história da humanidade que vale a pena conhecer, ou revisitar, até pelo seu brilhante exemplo de honestidade, coragem, coerência, abnegação e tenacidade. É importante que não nos esqueçamos do contexto e da época conturbada e de enorme intolerância que viveu, além de uma infância marcada por tragédias e dramática solidão. (...)
Consideramos um livro vivamente aconselhável e a descobrir que navega pelas águas da reflexão, Biografia histórica, Pedagogia, Didáctica, Educação, Teologia ecuménica cosmocrata, Filosofia, Direito, Política, Retórica, Fotografia, Arte e Literatura. "
Delmar Maia Gonçalves

Ian Amos Komenský (Coménio), um livro de autoria do escritor português Delmar Domingos de Carvalho, que conta com uma vasta produção literária, abrangendo diversos temas desde ensaio, biografia, teatro, filosofia, vegetarianismo, ficção, poesia, esoterismo, sociologia, música, etnografia, meditações teóricas e investigações sobre várias áreas, é um ensaio sobre a vida e obra de Coménio, sendo uma das poucas obras publicadas, em Portugal, sobre este genial pedagogo, político, filósofo e cosmocrata.

Ian Amos Komenský (Coménio) - Ensaio Biográfico
Autor: Delmar Domingos de Carvalho
Ilustração da capa: Miguel Ângelo de Carvalho
Prefácio: Delmar Maia Gonçalves
Preço: 12€
Edições CEMD
128 páginas
Encomende aqui (disponibilidade imediata) 
Oferta dos portes de envio para Portugal







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DEAMBULAÇÕES PELA ESCRITA de Ascêncio de Freitas
Crónicas

"De escurecer as nossas vidas encarregam-se as sombras que nós próprios produzimos aos cometer os erros que cometemos."
Ascêncio de Freitas



Há sempre escritores que deixam marcas na água. Ascêncio de Freitas é um deles. Na verdade, coloco-o no mesmo patamar e na senda de grandes escritores universais lusófonos como Jorge Amado, José Luandino Vieira, Ruy Duarte de Carvalho, José Saramago, Manuel Lopes, Pepetela, Lobo Antunes e Baltasar Lopes. 

Com um percurso literário “sui generis”, sempre navegando entre Moçambique e a Península Ibérica, sempre soube aproveitar os contactos com as grandes correntes literárias modernas através do seu conhecimento profundo das ideias, história, modelos, estéticas  e ventos que os vários “exílios” lhe proporcionaram e tão bem soube e sabe usar na arte da escrita.

Delmar Maia Gonçalves



Deambulações pela Escrita - Crónicas

Autor: Ascêncio de Freitas
Preço: 15€
Edições CEMD
300 páginas

Encomende aqui (disponível em 15 dias) 
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MANGWANA 2015 - AGENDA CULTURAL
(Antologia Poética)

Uma agenda poética, com várias referências a datas importantes e com indicação dos feriados nacionais de Moçambique, Portugal, Brasil e Angola.



         Preço: 10€

Encomende aqui (disponibilidade imediata) 
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AUTORES

Ademar Oliveira Lima * Alfredo de Sousa Pereira * Alvaro Giesta Ana Freitas * Ana Maria Dias * António Bondoso Ascêncio de Freitas * Conceição Oliveira * Daniel de Cullá Delmar Domingos de Carvalho * Delmar Maia Gonçalves  *  Eloah Westphalen Naschenweng * Eliane Negrão * Fatima Soares Francielle Thaiane * Francisco Grácio Gonçalves * Gabriele Bruschi Gisela Torquato Cosme * Ilda Brasil * Inês Maomé  *  Inês Leitão * Jennifer Melânia * Jorge Viegas * João de Deus Rodrigues * Jorge Viegas * José João da Cruz Filho *José Padua * José Vicente Neto * Lara Guerra  * Leomária Sobrinho Neto * Licínia Girão * Lourdes Peliz  *  Luís Vieira * Luna Delmar * Marcelo Gomes Jorge Feres Maria Christina Luiz * Maria Inez Silva Queiroz  *   Marques Valentim * Martins Mapera * RibeiroCanotilho Rita Velosa * Roseli Hübler * Rosangela Calza * São Passos Sibila Aguiar * Sonia Sultuane * Valdeck Almeida de Jesus   *    Vera Novo Fornelos * Vieira Calado








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MILANDOS DA DIÁSPORA 2014 (Edição especial dos EEMD)
REVISTA CULTURAL

Depois de mais um Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, que foi um sucesso absoluto, agradecemos uma vez mais a disponibilização do espaço pela Fundação José Saramago.
Agora urge projectar o futuro, tendo em conta sempre a valorização do legado dos percursores da literatura moçambicana.
Para tal, foi importante o contributo de todos os escritores associados, convidados e amigos do CEMD, moçambicanos ou de outras nacionalidades, que deram resposta pronta e válida aos objectivos do evento. Fica aqui registado o testemunho neste singelo livro.
Não poderia deixar de destacar a homenagem póstuma à poeta Glória de Sant’Anna, na presença das suas filhas - Andrea Paes e Inez Andrade Paes. E ainda à atribuição dos Galardões do CEMD à escritora e artista plástica Sónia Sultuane e ao jovem escritor Hosten Yassine Ali, pelo seu contributo à literatura.
O nosso objectivo será sempre o de fazer cada vez melhor pela Literatura, pelo que, estamos certos que daremos um salto qualitativo destes encontros nas próximas edi-ções. Assim o esperamos.
Zicomo Kwambiri a todos os participantes!

Delmar Maia Gonçalves
(Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora)


Coordenação literária: Delmar Maia Gonçalves
Ilustração da Capa: Didi Mestre
         CEMD Edições
Preço:  10,00 €
156 páginas

Encomende aqui (disponibilidade imediata) 
Oferta dos portes de envio para Portugal

Coordenação Literária: Delmar Maia Gonçalves



Ilustração da Capa: Didi Mestre
CEMD Edições


Textos e Ilustrações dos autores:
Alex Dau
Ana Dias
Andrea Paes
Antonio Bondoso
Ascencio de Freitas
Carlos Jorge Pedroso
Carlos Peres Feio
Conceição Oliveira
Delmar Maia Gonçalves
Duarte Tembe
Fercy Nery
Fernanda Angius
Filipa Vera Jardim
Francilangela Clarindo
Gisela Torquato Cosme
Goretti Pina
Inez Andrade Paes
Isa Fontes
Jorge Viegas
Liliana Lima
Lourdes Peliz
Luís Ferreira
Luísa Demetrio Raposo
Madalena Mendes
Manuel Afonso
Manuel Dias Duarte
Maria Paula Meneses
Maria do Sameiro Barroso
Mário Máximo
Marques Valentim
Renato Epifânio
Ribeiro-Canotilho
Rodrigo Sobral Cunha
Rodrigues Vaz
Rosa Vaz
São Passos
Sibila Aguiar
Sónia Sultuane
Vera Novo Fornelos
Victor Oliveira Mateus
Zetho Cunha Gonçalves





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REVISTA CULTURAL LICUNGO Nº2
ENSAIOS, CRÓNICAS, CONTOS, HISTÓRIAS E POESIA


"A revista cultural Licungo, de carácter semestral, literariamente coordenada por mim e pela segunda vez editada, (re)nasce renovada no seio do CEMD Edições. Inequivocamente de uma grande vontade de irmos mais além nos nossos objectivos previamente definidos.

A construção de pontes, hoje, mais do que uma vontade, é já uma certeza e a solidez com que se alicerça, uma enorme convicção. Só se constrói Lusofonia desta forma, com projectos que se concretizam, que envolvem e entusiasmam todos os protagonistas. E a promoção dos autores moçambicanos, vai sendo reforçada e acarinhada, cumprindo o velho sonho que sempre tive enquanto fundador deste Círculo de Escritores."

Delmar Maia Gonçalves
(Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora



Coordenação Literária: Delmar Maia Gonçalves
Ilustração da Capa: Luís Soares
         CEMD Edições
P.V.P. 10,00 €


Encomende aqui (disponibilidade imediata) 
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AUTORES:

Ensaio
Delmar Domingos de Carvalho

Contos, histórias e crónicas
Aruângua e Maria da Gloria Jesus de Oliveira
Marcelo Gomes Jorge Feres
Milene Barazzetti
Aguinaldo Beccheli
Rejane Machado
Vera Fornelos
Vieira Simões
Madalena Mendes
Ascêncio de Freitas
Delmar Maia Gonçalves
São Passos

Poesia
Mira Soares
Odibar João Lampeao
Lourdes Peliz
Jorge Viegas
Ines Maome
Lurdes Breda
Zetho Cunha Gonçalves
Sónia Sultuane
Mar Zé TinShel
Filipa Vera Jardim
Conceição Oliveira
Licínia Girão
Geraldo Sant'anna
Daniel de Cullá
Sibila Aguiar
Ribeiro-Canotilho
Gisela Torquato Cosme
Lara Guerra
Fatima Soares
Catarina Castro
Ana Dias
Valdeck Almeida Jesus
Alfredo Sousa Pereira
Didi Mestre
Roberto Ferrari

Ilustrações
Luís Soares
São Passos
Vera Fornelos

Fotos
Marques Valentim

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ian Amos Komenský (Coménio) de Delmar Domingos de Carvalho


"Comenius é uma daquelas raras personagens da história da humanidade que vale a pena conhecer, ou revisitar, até pelo seu brilhante exemplo de honestidade, coragem, coerência, abnegação e tenacidade. É importante que não nos esqueçamos do contexto e da época conturbada e de enorme intolerância que viveu, além de uma infância marcada por tragédias e dramática solidão. (...)
Consideramos um livro vivamente aconselhável e a descobrir que navega pelas águas da reflexão, Biografia histórica, Pedagogia, Didáctica, Educação, Teologia ecuménica cosmocrata, Filosofia, Direito, Política, Retórica, Fotografia, Arte e Literatura. "
Delmar Maia Gonçalves

Ian Amos Komenský (Coménio), um livro de autoria do escritor português Delmar Domingos de Carvalho, que conta com uma vasta produção literária, abrangendo diversos temas desde ensaio, biografia, teatro, filosofia, vegetarianismo, ficção, poesia, esoterismo, sociologia, música, etnografia, meditações teóricas e investigações sobre várias áreas, é um ensaio sobre a vida e obra de Coménio, sendo uma das poucas obras publicadas, em Portugal, sobre este genial pedagogo, político, filósofo e cosmocrata.

Ian Amos Komenský (Coménio)
Autor: Delmar Domingos de Carvalho
Ilustração da capa: Miguel Ângelo de Carvalho
Prefácio: Delmar Maia Gonçalves
P.V.P. 12€
Edições CEMD



Revista Cultural Milandos da Diáspora 2014 - Edição Especial dos Encontros de Escritores Moçambicanos na Diáspora


Depois de mais um Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, que foi um sucesso absoluto, agradecemos uma vez mais a disponibilização do espaço pela Fundação José Saramago.
Agora urge projectar o futuro, tendo em conta sempre a valorização do legado dos percursores da literatura moçambicana.
Para tal, foi importante o contributo de todos os escritores associados, convidados e amigos do CEMD, moçambicanos ou de outras nacionalidades, que deram resposta pronta e válida aos objectivos do evento. Fica aqui registado o testemunho neste singelo livro.
Não poderia deixar de destacar a homenagem póstuma à poeta Glória de Sant’Anna, na presença das suas filhas - Andrea Paes e Inez Andrade Paes. E ainda à atribuição dos Galardões do CEMD à escritora e artista plástica Sónia Sultuane e ao jovem escritor Hosten Yassine Ali, pelo seu contributo à literatura.
O nosso objectivo será sempre o de fazer cada vez melhor pela Literatura, pelo que, estamos certos que daremos um salto qualitativo destes encontros nas próximas edições. Assim o esperamos.
Zicomo Kwambiri a todos os participantes!

Delmar Maia Gonçalves
(Presidente do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora


Coordenação Literária: Delmar Maia Gonçalves



Ilustração da Capa: Didi Mestre
CEMD Edições


Textos e Ilustrações dos autores:
Alex Dau
Ana Dias
Andrea Paes
Antonio Bondoso
Ascencio de Freitas
Carlos Jorge Pedroso
Carlos Peres Feio
Conceição Oliveira
Delmar Maia Gonçalves
Duarte Tembe
Fercy Nery
Fernanda Angius
Filipa Vera Jardim
Francilangela Clarindo
Gisela Torquato Cosme
Goretti Pina
Inez Andrade Paes
Isa Fontes
Jorge Viegas
Liliana Lima
Lourdes Peliz
Luís Ferreira
Luísa Demetrio Raposo
Madalena Mendes
Manuel Afonso
Manuel Dias Duarte
Maria Paula Meneses
Maria do Sameiro Barroso
Mário Máximo
Marques Valentim
Renato Epifânio
Ribeiro-Canotilho
Rodrigo Sobral Cunha
Rodrigues Vaz
Rosa Vaz
São Passos
Sibila Aguiar
Sónia Sultuane
Vera Novo Fornelos
Victor Oliveira Mateus
Zetho Cunha Gonçalves

Rejane Machado

Memórias (Rejane Machado)
 
Aos dez anos a primeira página. Uma redação escolar, muito valorizada por uma professora primária, uma mulher sensível, cujo nome não guardei. Só a tratava por Atalita, que era o seu prenome.
E não me lembro , absolutamente, da sua figura física. Parece-me que tinha a voz doce, os modos calmos- reconstituo alguns dos seus traços de modo indireto, a partir das recordações pessoais de minha mãe, que com ela trocou palavras dedicadas á aluna aplicada, que tinha jeito para escrever. Mas no verso da composição a sua letra bonita e firme deixou-me um recado, que no momento não foi de modo algum levado em conta, mas que funcionaria, mais tarde- porque tudo tem o seu tempo- quando uma indigesta predisposição a um estado depressivo ameaçava um coração machucado.
(...)
Comecei assim, mandando pelos Correios este primeiro conto, que foi publicado num dia do ano 1968, pelo qual recebi, também pela mesma via, um cheque do qual não me lembro o valor- o que não teve menor importância, senão pelo que representou : colocar-me num grande jornal, ao lado de “cobras”, iniciando um período de colaborações que se estendeu por muitos anos, a outros importantes veículos de comunicação: Leitura, Bancário, A Cigarra, Convívio, Ficção (revistas), Correio da Manhã, Jornal de Letras, Jornal do Brasil, onde mais tarde, sob a batuta do saudoso Lago Burnett, estacionei por longo tempo, fazendo agora somente crítica literária,
alavancando autores estreantes, entre eles José Mauro de Vasconcelos (Meu pé de laranja lima), Rubem Fonseca (A coleira do cão), Caio de Freitas (Um canal separa o mundo)- e muitos outros que me mandavam seus livros.Data daí a minha amizade com Francisco Miguel de Moura, poeta de Teresina, Armindo Trevisan, de Porto Alegre e Carlos Nejar, também do Rio Grande, Nélida Piñon, Stella Leonardos, Waldemar Lopes, Ricardo Hofmann, de Santa Catarina,meu Deus, quanta gente.
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O mais importante disso tudo, talvez, é ser uma pessoa que rejeita a amargura, que diz Não! á depressão, ao pessimismo, à infelicidade. Porque dificuldades fazem parte da trajetória humana, carências, decepções; ninguém está a salvo dessas surpresas desagradáveis, Mas quando se coloca na balança os prós e os contras, vê-se que sempre temos muito a agradecer. Tudo o que não foi bom se transformou numa argamassa sobre a qual construímos uma fortaleza.
E quase ao final da estrada, a vida ainda tem alegrias a oferecer.
Amo de paixão aos meus netos, tão intelifentes e bonitos, de quem tive a honra de cuidar pessoalmente, de ajudar na sua criação, de estimular as suas potencialidades. Tenho orgulho de meus filhos,dois  engenheiros, um agrônomo, ambientalista, que é apaixonado pela Natureza, outro engenheiro civil-Professor Pardal que tem solução para tudo. Por minha filha, também, tão corajosa, que há pouco terminou sua 5ºFaculdade, desta vez Direito, como o pai.Todos muito ligados à Música, excelente herança que meu pai Maestro nos legou, e à Poesia, que minha sensível mãe tanto cultivou. E noras tão amigas, e genros e genros-netos tão meigos! Sem falar na graça infinita de Luan e Maria Renata, tão vivos, tão lindos e inteligentes. Luan, que lê aos 5 anos adora  ouvir "música de maestro", Renata vai aprender, também, com certeza.Tenho ainda muito papel rabiscado para publicar....
 
Rejane Machado
(Trecho do livro Memórias, em final de organização)